Luanda Brasil Capoeira

História da Capoeira

O Brasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África, pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-açúcar.

Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da maior parte desse tráfico.

Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitavam pacificamente o cativeiro; a história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam.

Uma das formas dessa resistência foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso.Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no século XVII, numa região conhecida como Palmares. Uma espécie de Estado africano foi formado.

Distribuindo em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira. Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos.

Para não levantar suspeita, os movimentos da luta foram sendo adaptados às cantorias e músicas africanas para que parecesse uma dança. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de "ganho" e dos freqüentadores da zona pontuaria.

Na Cidade de Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mas para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente, Getúlio Vargas.

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Mestre Bimba - Capoeira Regional Baiana

Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado) filho de Luiz Cândido Machado e Maria Martinha do Bonfim, nasceu no bairro de Engenho Velho, freguesia de brotas, Salvador - Bahia em 23 de novembro de 1900.

Recebeu esse apelido devido a uma aposta que sua mãe fizera com a parteira que o "aparou". Ao contrário do que dona Martinha achava, a parteira disse que se nascesse menino, receberia o apelido de "Bimba" pôr se tratar, na Bahia, de um nome popular do órgão sexual masculino.

Começou a praticar capoeira aos 12 anos de idade na estrada das Boiadas, hoje o Bairro Negro da Liberdade, com o africano Bentinho, capitão da navegação Baiana. Foi estivador durante 14 anos e começou a ensinar capoeira aos 18 anos de idade no Bairro onde nasceu no "Clube União em Apuros". Até 1918 não existia esquinas, nas portas dos armazéns e até no meio do mato.

Era eficaz e muito folclorizada a capoeira da época, devido ao fato de os movimentos que eram extremamente disfarçados, mestre Bimba resolveu desenvolver um estilo de capoeira mais eficiente, inspirando-se no antigo "Batuque" (luta na qual seu pai era um grande lutador, considerado até um campeão) e acrescentando sua própria criatividade, introduziu movimentos que ele julgava necessário para que a capoeira fosse mais eficaz.

"Naquele tempo Capoeira era coisa para carroceiro, trapicheiro, estivador e malandros. Eu era estivador, mas eu fui um pouco de tudo. A Polícia perseguia um capoeirista como se persegue um cão danado. Imagine só que um dos castigos que davam a capoeiristas que fossem pegos brigando, era amarrar um punho num rabo de cavalo e o outro em cavalo paralelo, os dois cavalos eram soltos e postos a correr em disparada até o Quartel. Comentavam até, por brincadeira, que era melhor brigar perto do Quartel, pois houve muitos casos de morte. O indivíduo não agüentava ser arrastado em disparada pelo chão e morria antes de chegar ao seu destino: o Quartel de Polícia”.

Segundo suas palavras, o sistema de aulas à época era bastante violento. As rodas eram formadas na Estrada das Boiadas (atual bairro da Liberdade), em Salvador, num ritmo bravio ao som do berimbau. Mestre Bimba costumava recordar um golpe formidável aplicado por Bentinho, que o acertara na cabeça, provocando um desmaio até o dia seguinte... Seu trabalho como mestre-capoeira iria distinguir-se pela divulgação do jogo em todos os recantos do país e a elaboração de um sistema próprio de treinamento e transmissão dos conhecimentos e técnicas do jogo: a Capoeira Regional Baiana.

Então em 1928, mestre Bimba criou o que ele denominou Capoeira Regional Baiana por ser esta praticada única e exclusivamente em Salvador. A partir da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase de grandes transformações políticas e culturais, onde os ideais nacionalistas e de modernização ficaram em evidência. Nesse contexto, surge à oportunidade de Mestre Bimba fazer com que o seu novo estilo de capoeira alcançasse as classes sociais mais privilegiadas.

Em 1936 fez a 1ª apresentação do seu trabalho e no ano seguinte foi convidado pelo governador da Bahia, o General Juracy Magalhães, para fazer uma apresentação no palácio do governador onde estavam presentes autoridades e convidados.

Dessa forma a capoeira foi reconhecida como "Esporte Nacional" e mestre Bimba foram reconhecidos pela Sec. Ed. Associação Pública ao estado da Bahia como Professor de Educação Física e sua academia foi a 1ª no Brasil reconhecida por Lei. O que faz com que Mestre Bimba se destacasse dos demais capoeiristas de sua época, é que ele foi o 1º a desenvolver um sistema de ensino e a ensinar em recinto fechado. Além desse sistema, ele elaborou técnicas de defesa Pessoal até mesmo contra armas.

Mestre Bimba preocupava-se demais com a imagem da capoeira, não permitindo treinar em sua academia aqueles que não trabalhavam nem estudavam. Em 1973, Mestre Bimba, por motivos financeiros, deixou a Bahia, sob acusação de que os "Poderes Públicos" jamais haviam o ajudado. Faleceu em Fevereiro de 1974 em Goiânia, vítima de um derrame cerebral. Mestre Bimba foi embora, mas seus ensinamentos e seus métodos ainda inspiram e influenciam os novos métodos de hoje em dia.

Regulamento

Na academia de mestre Bimba havia um quadro contendo um regulamento com nove itens, englobando aspectos técnicos e disciplinares:

1- Deixe de fumar, é proibido durante os treinos.

2- Deixe de beber pois o álcool faz mal para o metabolismo muscular.

3- Evite mostrar para seus amigos de fora da roda seus progressos. Lembre-se que a surpresa é sua maior aliada da luta.

4- Evite conversa durante o treino. Você esta pagando o tempo que esta nessa academia; e observando os outros lutadores aprenderá mais.

5- Procure gingar sempre.

6- Pratique diariamente os exercícios fundamentais.

7- Não tenha medo de se aproximar do oponente. Quando mais perto estiver mais aprenderá.

8- Conserve o corpo relaxado.

9- É melhor apanhar na roda do que na rua.

Exame de admissão

Dizia-se que em outros tempos, Mestre Bimba aplicava uma "Gravata" no pescoço do indivíduo que quisesse treinar e dizia "Agüenta ai sem chiar", se agüentasse o tempo que ele mesmo determinava estaria matriculado. Mestre Bimba justificava esse critério dizendo que só queria macho em sua academia. Mais tarde mudou os critérios, submetendo o Candidato a fazer alguns movimentos para que ele pudesse avaliar se o pretendente tinha condição ou não para praticar a capoeira regional. Sendo a próxima fase aprender a "Seqüência de Ensino".

O aprendizado

O aluno nessa faze aprendia o que se chama "Seqüência de Ensino" que eram as oito seqüências de movimentos de ataque, esquivas e contra ataque destinado somente aos iniciantes, simulando as situações mais comuns que o aluno enfrentaria durante o jogo de capoeira. Esse foi o 1º método de ensino criado para ensinar alguém a jogar a capoeira e o calouro treinava essas seqüências em duplas sem o acompanhamento dos instrumentos.
Quando estas estivessem decoradas o Mestre dizia: "Amanhã você vai entrar no aço, no aço do Berimbau".

Também fazia parte do aprendizado os "movimentos de projeção" que ensinava o iniciante cair de forma correta, sempre de pé e uma seqüência com esses movimentos denominada "cintura desprezada". Por fim, o aluno aprendia os "golpes ligados" que eram as situações de agarramento que aconteciam em brigas de rua. Era comum naquele tempo dizerem que o capoeirista quando agarrado, não tinha como reagir. Então Mestre Bimba, com sua criatividade ensinava seus alunos quais eram as melhores saídas. Todos esses ensinamentos faziam com que o método de mestre Bimba fosse incomparável e esse treinamento durava cerca de três meses, só então é que o aluno seria batizado.

O batizado

O batizado era quando o aluno jogava pela 1ª vez na roda com o acompanhamento dos instrumentos que era formado por um berimbau e dois pandeiros. O mestre escolhia o formado que jogaria com o calouro e então toca "São Bento Grande", toque que caracterizava a capoeira regional, para isso o calouro era colocado no centro da roda para que o formado ou o próprio mestre desse um apelido a ele. Escolhido o "nome de guerra" todos aplaudiam e então o mestre mandava o calouro pedir a "Benção" do padrinho, e ao estender a mão para o formado que o batizou, receberia uma Benção (golpe) que o jogava no chão.

Eram necessários pelo menos, seis meses de treino para se formar na Capoeira Regional. O exame era realizado em quatro domingos seguidos, no Nordeste de Amaralina, academia do mestre, os alunos a serem examinados eram escolhidos por ele. Durante quatro dias os alunos eram submetidos a algumas situações onde teriam que mostrar os valores adquiridos durante a fase de aprendizado, como por exemplo: força, reflexo, flexibilidade e etc. No último domingo é que o mestre dizia quem havia sido aprovado e então ensinava novos golpes e também marcava o dia da formatura.

A formatura

A Cerimônia iniciava com uma roda de formados antigos para que as madrinhas e os convidados pudessem ver o que era a Capoeira Regional. Mestre Bimba ficava ao lado do som, que era formado por um Berimbau e dois pandeiros, comandando a roda e cantando as músicas características da Regional.

Terminada a roda, o mestre chamava o orador que geralmente era um formado mais antigo para falar um breve histórico da Capoeira Regional e do mestre. Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos paraninfos e os lenços azuis (Graduação dos Formados) as madrinhas.

O paraninfo colocava a medalha ao lado esquerdo do peito do Formado e as madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos seus respectivos afilhados. A partir dai os formados demonstravam alguns movimentos a pedido do mestre para mostrar a sua competência, incluindo os movimentos de "cintura desprezada", "jogo de floreio" e o "escrete" que era o jogo combinado com o uso dos Balões.

Para Terminar, chegava à hora do "Tira-medalha" onde o recém formado jogava com um formado antigo que tentava tirar a sua medalha com qualquer golpe aplicado com o pé. Só então depois de passar por isso tudo é que o aluno poderia se considerar aluno formado de mestre Bimba, tendo direito até a jogar na roda quando o mestre estivesse tocando Iuna que era o toque criado por ele para esse fim. A partir dai só restava o curso de especialização.

 

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Mestre Pastinha

Mais chamado de rei da capoeira de angola, Vicente Ferreira Pastinha mais conhecido como Mestre Pastinha, era filho de uma mulata baiana e seu pai era um comerciante espanhol, nasceu em 1889.

Teve uma infância amarga como ele mesmo disse, achou um rival, um menino que sempre brigava com o pequeno Vicente, e a mãe do menino sempre assistia a briga de Vicente e seu rival, e Vicente sempre apanhava, levava sempre a pior e na janela de uma casa havia um negro africano cujo nome, segundo algumas pessoas, era Benedito, certo dia Benedito chamou o pequeno Vicente e lhe disse:

- Você que brigar na raça, mas não pode, aquele menino é mais ativo que você.

E convidou Vicente para que ao invés de perder tempo empinando arraia era para ele ir até a casa de Benedito para que o mesmo lhe ensinasse a Capoeira.

Pastinha aprendeu a jogar Capoeira, agora você já está pronto para brigar com aquele menino. Assim Pastinha foi e esperou seu rival passar três vezes a mão, na terceira Pastinha se abaixou e bateu na mão do seu rival que o disse - Você está vivo é - Pastinha então começou a revidar e bateu no menino que tanto havia lhe surrado em outras ocasiões.

Pastinha nunca mais precisou brigar, pelo menos é o que contam.

Pastinha depois aprendeu a música, foi para a escola de marinheiros entre tantas outras coisas.

Pastinha não era apenas um capoeirista, ele era um capoeira completo, filósofo, mandingueiro, cantador, tocador, pintor, compositor, ágil como um gato.

Seu fama em Salvador foi justa, pois era amigo de todo mundo e assim ergueu a capoeira. Pastinha tinha o dom de organização da capoeira, e assim o fez.

Sua academia foi montada em um lugar aonde seria o lugar mais famoso da capoeira, no largo do Pelourinho N° 19 era o Centro de Esportivo de Capoeira de Angola (CECA) cujos uniformes eram preto e amarelo cores do time aonde treinou futebol quando era pequeno, Atlético Ipiranga, mas passado um tempo mestre Pastinha passou na sofrer alguns golpes, realizou um sonho de ir para a África, foi para o Senegal representar o Brasil, mas lá ele não jogou capoeira, pois já estava cego.

Pastinha jogou capoeira cego durante aproximadamente 10 anos, os últimos de sua vida. Em uma conversa minha com Mestre Gildo Alfinete, ele contou que mestre Pastinha nunca jogou capoeira cego, eu não entendia como, se todos haviam dito que Pastinha jogava cego, será que isso era mídia ou o que, fiquei pensando em uma oportunidade conversando com Mestre Kunta-Kinté falei sobre o que tinha ouvido de Mestre Gildo Alfinete e Mestre Kunta-Kinté me deu uma explicação, Quando perdemos certa porcentagem de visão já somos considerados cegos, portanto Mestre Pastinha perdeu uma porcentagem de sua visão e não 100 % mas talvez 80%, considerado cego, e mesmo assim ele jogava.

Mesmo cego não havia capoeirista que ousasse tocar em Mestre Pastinha, ninguém chegava perto dele dentro de uma roda de capoeira, ele dizia

- Eu não estou enxergando, mas eu percebo, e quando eu achar que esta muito próximo de mim eu revido - dessa forma Mestre Pastinha ficou para história e seu nome ficou gravado.

Aonde há rodas de capoeira, há um pedaço de Mestre Pastinha, ele ficou para história e como ele mesmo disse a João Pequeno - Enquanto existir capoeira o nome dele não desaparece.

Assim acontece, e será assim por anos e séculos, independente de querer ou não seu nome já está gravado na história da Capoeira e da cultura baiana.

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Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares permanece no imaginário popular com inúmeras versões, todas elas falando da escravidão onde se sobressai um escravo rebelde, que se impõe na história fazendo história.

Magro, baixo, negro, o coroinha toma a benção do padre Antonio Melo. Antes de deitar, repassa a lição de latim e combina com o religioso as tarefas do dia seguinte. Ao amanhecer, porém, o pároco de Porto Calvo não encontra mais o adolescente de 15 anos.

Embrenhando-se na mata virgem, o jovem percorre 120 quilômetros a pé Ávidos por alcançar seu lar, o "Quilombo de Palmares", uma poderosa federação de escravos fugitivos fundada no sertão nordestino. Foi de lá que Francisco, depois Zumbi, escapara anos antes, para escapar da morte durante um ataque inimigo. Cerca de 50mil negros habitavam um rosário de aldeias (mocambos) que se estende quase que a totalidade da atual Alagoas. O território era pontilhado de ricas lavouras. Um Conselho de Chefes cuidava das leis e governava. Á frente deste conselho, com status de rei, está Ganga Zumba, tio de Zumbi.

O sobrinho do soberano, herdeiro do seu poder, não demora a dar mostras de seu valor. Antes dos vinte anos, torna-se comandante das armas.

A guerra canalizava boa parte dos esforços do quilombo. Exércitos encarregados pelo governo de destruir a federação e devolver os escravos a seus donos são rechaçados constantemente. A cada novo ataque, enfraquecia Palmares. Uma investida bem sucedida dos portugueses, em 1678, leva Ganga Zumbi a assinar um acordo desvantajoso, pelo qual apenas os nascidos no quilombo preservariam a liberdade. Zumbi não aceita as condições e se rebela. Quer o fim da escravidão e decide continuar a luta.

Com o envenenamento do tio, torna-se líder e resiste heroicamente durante 14 anos. Em 1691, porém, o bandeirante Domingos Jorge Velho é encarregado de chefiar a mais poderosa das expedições já armada contra Palmares. Entretanto, durante três anos sustentam investidas violentas, até que dois tiros atingem Zumbi. Depois de um século, um sonho de liberdade chega ao fim.

Quando o nasce o sol, o campo está coberto de cadáveres. Zumbi não é identificado. Teria mesmo Zumbi tombado? O enigma só é desvendado dois anos depois. Os bandeirantes aprisionam Soares, um ex-quilombola. Torturado, o negro revela que o líder sobrevivera e leva os soldados até o esconderijo. Zumbi luta, fere vários, mata um. Cai morto na manhã de 20 de novembro de 1695. Sua cabeça é cortada e exibida no Recife, para servir de advertência aos negros.

Zumbi era descendente dos guerreiros imbangalas ou jagas de Angola e nasceu por volta de 1655 em um mocambo do quilombo. A palavra Zumbi significa "Deus negro de alma branca".

Zumbi dos Palmares foi comandante político-militar, herói mítico, símbolo de esperança, e uma pessoa a quem se referiram como "Espártaco Negro Brasileiro", "Mártir", e os escravos acreditavam ser imortal. Zumbi é o arquétipo da resistência à escravidão, a mais completa alienação e subserviência à violência e aos poderes dos senhores do engenho.

O Brasil colônia foi responsável pelo maior translado humano da história, importando quase cinco milhões de africanos. Deste modo, a escravidão, gestou estruturas, moveu a economia e introduziu novos valores e conceitos da visão do mundo.

Hoje vivemos num país onde mais de 80 milhões de brasileiros são negros ou descendentes deles. Isso representa 60% da população o que nos torna o país com maior habitantes da raça negra fora do continente africano.
A cor negra sempre foi arque tipicamente associada à sombra e é de vital importância na interação étnica do Brasil. Não aceitarmos nossa negritude é desvalorizar os preceitos morais de um país de mestiços. Em Zumbi, mito e arquétipo coabitam. Ele é símbolo nacional, um mártir guerreiro, que revolucionou o mundo com seu sonho de liberdade.

A discussão sobre Zumbi deve ser aprofundada como um instrumento da compreensão social e a história da questão do negro no Brasil.

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Bateria de uma Roda

Berimbau

É talvez um dos instrumentos musicais mais primitivos de que se tem informação. Considerado instrumento de corda e encontrado em várias culturas do mundo, inclusive no Novo México (USA), Patagônia, África Central, África do Sul e Brasil.

Em geral, o berimbau é constituído de um pedaço de madeira roliço (pau-pereira, taipoca, beriba, etc.) tencionada por um fio de aço bem esticado, que lhe dá a forma de um arco, contém um tipo de caixa de ressonância que, na verdade , é uma cabaça ou um coité cortado no fundo e raspado por dentro para ficar oco e com o som bem puro. Mais vaqueta, caxixi e dobrão (moeda antiga de cobre).

No Brasil, o berimbau chegou pelas mãos dos escravos africanos que vieram para cá traficados para serviços pesados nos engenhos, isto por volta do ano de 1538, século XVI, portanto. O berimbau também é chamado por outros nomes como urucungo, puíta, quijenge, dentre outros.

Estes nomes são derivados de palavras vindas de dialetos Bantu, correspondente aos países de Angola, Moçambique, Congo, Zaire e outros O berimbau que conhecemos mais popularmente é o que normalmente é feito de madeira ou bambuí e que se compõe de sete partes distintas, ou seja: verga, cabaça, corda, caxixi, dobrão, baqueta e amarração da cabaça.

O Berimbau de Barriga:
É o berimbau comum que conhecemos. Porém, poucas pessoas sabem que ele também se chama berimbau de barriga por ser encostado ao abdome da pessoa, ou seja, na barriga do tocador.

O Gunga, o Médio e a Viola:
A afinação dá o nome ao berimbau. É de acordo com a afinação da corda e o tamanho da cabaça que se chama o Gunga que tem o som mais grave e que faz a marcação do toque, tem uma cabaça maior.

O Médio tem um som regulado entre o grave do Gunga e o agudo do Viola, tem uma afinação mediana que permite ao tocador executar a melodia fazendo o solo da música.

A viola tem uma cabaça pequena e bem raspada por dentro para ficar bem fina, tem um som agudo e faz apenas o papel de executar as viradas dentro da melodia.

Um bom capoeira é "obrigado" a saber tocar os três tipos de berimbau . Numa roda de capoeira Angola, usa-se o trio completo de berimbaus, juntamente com o atabaque, dois pandeiros, agogô e reco-reco.

É ao pé do berimbau médio, que fica no centro do trio que o capoeira se benze e espera agachado para começar, ou para sair do jogo.
As variações do toque do berimbau:

As variações musicais do berimbau são os vários toques executados pelo tocador para definir o tipo de jogo que será feito na roda. Um bom capoeirista deve, ou melhor, tem obrigação, saber o maior número de toques, bem como o significado e o tipo de jogo praticado em cada um desses toques.

Os toques mais conhecidos são:

- Angola - São Bento Grande - São Bento Pequeno - Iúna - Cavalaria
- Santa Maria - Benguela - Samba de Roda - Samango

É essencial a um bom capoeira que ele domine com perfeição todos os toques que conseguir e que pratique o ritmo dos três berimbaus, ou seja, que ele toque o Gunga tão bem quanto o Médio e este tão bem quanto a Viola.

Atabaque

Instrumento de origem árabe, que foi introduzido na África por mercadores que entravam no continente através dos países do norte, como o Egito.

É geralmente feito de madeira de lei como o jacarandá, cedro ou mogno cortado em ripas largas e presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros que, de baixo para cima dão ao instrumento uma forma cônico-cilíndrica, na parte superior, a mais larga, são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado. É o atabaque que marca o ritmo das batidas do jogo. Juntamente com o pandeiro é ele que acompanha o solo do berimbau.

Pandeiro

Instrumento de percussão, de origem indiana, feito de couro de cabra e madeira, de forma arredondada, foi introduzido no Brasil pelos portugueses, que o usavam para acompanhar as procissões religiosas que faziam.

É o som cadenciado do pandeiro que acompanha o som do caxixi do berimbau, dando "molejo" ao som da roda. Ao tocador de pandeiro é permitido executar floreios e viradas para enfeitar a música.

Agogo

Instrumento de origem africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um cone metálico em cada uma das pontas, estes cones são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons diferentes que também são produzidos com o auxílio de um ferrinho que é batido nos cones. Também faz parte da "bateria" da roda de capoeira Angola na Bahia.

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Toques de Capoeira

Cada ritmo de capoeira é conhecido como toque, estes são alguns dos mais conhecidos:

Toque de angola: é um ritmo tocado com o berimbau no momento de realização do jogo de angola.

São Bento Grande de Bimba: Este toque foi criado por Mestre Bimba. É chamado também de São Bento Grande da Regional. Toca-se ele com um berimbau médio, dois pandeiros de cada lado fazem parte da formação da bateria (a essa formação instrumental dá-se o nome de "charanga"). É um toque que transmite muita energia e exige dos capoeiras muita técnica e atenção.

Iúna (capoeira): Numa roda de capoeira, o jogo de Iúna, acompanhado do toque do berimbau (tradicionalmente sem palmas ou outros instrumentos, para realçar a solenidade da ocasião) serve como forma de demarcar os níveis hierárquicos dos mestres e dos formandos (discípulos).Em alguns lugares, especialmente na capoeira angola, ele é acompanhado dos demais instrumentos usados na capoeira e serve para momentos solenes.

O toque de Iúna (assim como os outros toques) não possui um criador identificado, (assim como não existe 'um criador' da capoeira, a qual é resultado de inúmeras experiências e miscigenações brasileiras), no entanto, alguns capoeiristas atribuem sua criação ao Mestre Bimba, onde ele servia para os alunos formados demonstrarem toda a sua habilidade.

Dentre estas habilidades, podemos citar: saltos, piruetas, firulas, paradas-de-mão, etc. É um jogo em que os camaradas deixam um pouco de lado a objetividade e valorizam a destreza com movimentos alongados e bonitos, mostrando a grande plasticidade da capoeira, é fundamental que o aluno saiba que não se canta neste momento, apenas observa-se o desenrolar dos jogos que geralmente são aplaudidos ao final, não é elegante acertar o adversário ou derruba-lo durante uma acrobacia ou golpe, você pode sair do contexto chegando ao ridículo.

Mestre Bimba costumava desenvolver neste ritmo a chamada "cintura-desprezada" que consistia em uma seqüência de balões (movimentos em que um jogador e lançado para o alto e precisa cair em pé), geralmente exigido ao aluno graduado.
Benguela (capoeira): é o mais lento toque de capoeira regional, usado para acalmar os jogadores.

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Folclores da Capoeira

Maculelê

Maculelê - tipo de dança, bailado, que se exibe na festa de Nossa Senhora da Purificação, na cidade de Santo Amaro(Bahia). Acredita-se ter evoluído do cucumbi (antigo folguedo de negros) até tornar-se um misto de dança e jogo de bastões, chamados grimas, com os quais os participantes desferem e aparam golpes. Num grau maior de dificuldade e ousadia, pode-se dançar com facões em lugar de bastões, o que dá um bonito efeito visual as faíscas que saem após cada golpe.

História Conta-se a história de que Maculelê era um negro fugido que tinha doença de pele. Ele foi acolhido por uma tribo indígena e cuidado por eles, mas ainda assim não podia realizar todas as atividades com o grupo, por não ser um índio também. Certa vez, Maculelê foi deixado sozinho na aldeia, quando a tribo saiu para caçar. E eis que uma tribo rival aparece para dominar o espaço. Maculelê lutou sozinho contra o grupo rival e, heroicamente, venceu a disputa.

Desde então passou a ser considerado um herói na tribo. A dança com bastões simboliza a luta de Maculelê contra os guerreiros.
Há quem diga que o Maculelê surgiu em Santo Amaro, entre os negros de engenho, numa forma de mostrar a luta dos escravos contra o feitor, daí a dança ter um "mestre" com uma grima maior, que "bate" em todos os demais.

Foi Popó do Maculelê o responsável pela sua divulgação, formando um modesto grupo com seus filhos, netos e outros negros da Rua da Linha, e se apresentava no dia 2 de Fevereiro, na festa da Padroeira de Santo Amaro, Nossa Senhora da Purificação. Popó era condutor do trólei puxado a burros, no tempo que ainda existia o vapor (linha regular de navios de Santo Amaro a Salvador). Nesse tempo a cidade era servida por uma linha de bondes puxados a burros, que se chamava Trilhos Urbanos, que durante muito tempo foi uma marca curiosa dessa cidade, extinta no final da década de 50.

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Samba de Roda

Samba de roda é uma variante musical mais primitiva do samba, originário do estado brasileiro da Bahia, provavelmente no século XIX.

O samba de roda é um estilo musical tradicional afro-brasileiro, associado a uma dança que por sua vez está associada à capoeira. É tocado por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho, acompanhado por canto e palmas.

O Samba de Roda no Recôncavo Baiano, é uma mistura de música, dança, poesia e festa. Presente em todo o estado da Bahia, o samba é praticado, principalmente, na região do Recôncavo. A manifestação cultural está presente em obras de compositores baianos como Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso.

O samba teve início por volta de 1860, como manifestação da cultura dos africanos que vieram para o Brasil. De acordo com pesquisas históricas, o Samba de Roda foi uma das bases de formação do samba carioca.

A manifestação está dividida em dois grupos característicos: o samba chula e samba corrido. No primeiro, os participantes não sambam enquanto os cantores gritam a chula - uma forma de poesia. A dança só tem início após a declamação, quando uma pessoa por vez samba no meio da roda ao som dos instrumentos e de palmas. Já no samba corrido, todos sambam enquanto dois solistas e o coral se alternam no canto.

O samba de roda está ligado ao culto aos orixás e caboclos, à capoeira e à comida de azeite. A cultura portuguesa está também presente na manifestação cultural por meio da viola, do pandeiro e da língua utilizada nas canções.

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Puxada de Rede

Ao amanhecer, quando foram fazer o arrasto da rede que ficara no mar, os pescadores notaram que por ter sido aquela uma noite de
pouca pesca, a rede estava pesada demais.

Ao chegar todo o arrasto à praia, já com dia claro, todos viram no meio dos poucos peixes que vieram o corpo do pescador desaparecido. A tristeza foi instantânea e o desespero tomou conta de todos ali presentes.

Prossegue-se então os rituais fúnebres do pescador sendo levado à sua morada eterna pelos amigos que estavam com ele no mar,
sendo seu corpo carregado nos ombros, pois a situação financeira não comportaria a compra de uma urna, o cortejo segue pela praia.

O teatro folclórico que retrata a puxada de rede, conta a história de um pescador que ao sair para o mar em plena noite para fazer o
sustento da família, despede-se de sua mulher que, em mau pressentimento, preocupa-se com a partida do marido e o assusta dizendo dos perigos de sair à noite, mas o pescador sai e deixa-a a chorar, e os filhos assustados.

O pescador sai para o mar e leva consigo uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, seus companheiros de pesca e a bênção de Deus.

Muito antes do horário previsto para a volta dos pescadores, que seria às cinco horas da manhã, a mulher do pescador, que ficou na praia esperando a hora do arrasto, teve uma visão um tanto quanto estranha.

Ela vê o barco voltando com todos a bordo muito triste e alguns até chorando. Quando os pescadores desembarcam, ela dá pela falta do marido e os pescadores dizem a ela que ele caiu no mar
por conta de um descuido e que devido à escuridão da noite, não foi possível encontrá-lo, ficando ele perdido na imensidão das águas.

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